O avanço da medicina esportiva

Um dos maiores desejos de todo praticante de atividade física, seja profissional ou amador, é evitar as contusões. Uma lesão no joelho ou um problema no púbis, muitas vezes, poderia significar que o atleta iria ficar meses afastado ou até ter que deixar de fazer tal exercício. O avanço dos equipamentos e das técnicas, no entanto, tem mudado essa realidade.
Os especialistas em medicina esportiva destacam que a área evoluiu bastante em virtude tanto do desenvolvimento tecnológico de aparelhos de imagens e técnicas cirúrgicas, como também pelo entendimento da importância do trabalho de uma equipe multidisciplinar. Segundo os médicos, esses avanços diminuem o tempo do atleta no departamento médico e ajudam a prevenir lesões.
O ortopedista e médico do esporte, José Roberto, explica que a medicina no esporte não é uma especialidade nova, mas que foi conhecida como especificidade em 1927, quando foi criada a Federação Internacional. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte foi fundada em 1962 e congrega os profissionais que atuam e desenvolvem a área.
José Roberto afirma que os aparelhos de imagem, como a ressonância magnética, contribuíram para um diagnóstico mais preciso que ajuda no tratamento e na recuperação dos atletas. O médico enfatiza também que as técnicas cirúrgicas evoluíram em função das máquinas e os procedimentos agridem menos, favorecendo assim o retorno mais rápido à prática da atividade física.
Para o especialista, outro fator que colaborou para o desenvolvimento da área foi a quantidade de pessoas praticando exercícios físicos. Ele explica que o maior número de pessoas levou a um intercâmbio entre as áreas, tornando cada vez mais indispensável o trabalho de uma equipe multidisciplinar.
“O maior número de pessoas praticando exercícios físicos levou a um intercâmbio entre o professor de educação física, nutricionista e fisioterapeuta. Hoje não se admite mais um esporte competitivo sem ter uma equipe multidisciplinar. É impossível você tratar tudo”, destaca. Ele acrescenta ainda que até as empresas que produzem artigos esportivos estão pesquisando para aperfeiçoar a performance e assim ofertar itens que diminuem impactos, por exemplo.
O ortopedista e médico do esporte, Flávio Henrique, acredita que a vida útil do atleta hoje está maior devido aos conhecimentos adquiridos nos últimos anos. Ele destaca o salto das técnicas, da aparelhagem e do protocolo de evolução como fatores que ajudam a melhorar a performance do atleta e tratam as lesões mais precocemente.
O consultor médico do Sport Club Corinthians Paulista, Joaquim Grava, também ressalta que houve uma mudança muito grande para o bem. Ele enfatiza que a aparelhagem e os novos conceitos de fisioterapia ajudaram a mudar o cenário. “Houve uma mudança para o bem muito grande. Tem uma série de aparelhos que fazem com que os atletas melhorem mais rapidamente”, diz.
Em relação especificamente ao futebol, Grava aponta que está ocorrendo uma evolução no trabalho. Ele explica que fundou, junto com José Luís Runco, médico da Seleção Brasileira, a Comissão Nacional dos Médicos de Futebol e promove um encontro anual com os médicos das séries A, B e C. Para ele, ainda falta muito a ser feito, mas a área está evoluindo bastante.
“As diretorias dos clubes, a grande maioria, do Campeonato Brasileiro perceberam que se você tem um departamento médico, com médico profissional, contratado, que tem condições de administrar esse departamento multidisciplinar, economicamente para o clube é muito importante porque diminui a permanência do atleta no setor”, reforça.
O médico cita o Corinthians para mostrar a importância da equipe multidisciplinar. No clube, há, além dele, médicos, fisioterapeutas, nutricionista, fisiologista e um aparelho de ultrassonografia. Grava revela que essa equipe prepara desde os exercícios antes dos atletas irem a campo até orientação dos gramados.

 

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